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domingo, 8 de março de 2015

Tristeza Permitida

Embora a fossa dos primeiros dias do ciclo tenha passado, quis registrar esse texto da Martha Medeiros que acho bastante apropriado pra esses dias difíceis que toda tentante (pelo menos aquelas com mais de 6 meses de tentantivas) passa.

A tristeza permitida



Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down…” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

Martha Medeiros




segunda-feira, 21 de julho de 2014

Pausa para aliviar a dor

Precisei de uma postagem extra pra aliviar a tensão. Por aqui estamos no 26º dia do ciclo (DC) e 10º dia pós-ovulação (DPO), ou seja a quatro dias do fim do ciclo. E logo cedo me deparo com um super muco tipo clara de ovo. Sabe aquele muco amigo dos peixinhos do marido? Aquele, que pinta pra avisar pra gente que é dia de trabalhar! Então. Apareceu aqui de surpresa e eu fiquei sem entender bulhufas.
Uma googlada, algumas trocas de informação nos grupos do FB e pá! Me sugeriram fazer o teste de ovulação. Fiz! Resultado: Mega negativo (apareceu uma unica linhazinha no teste de LH como eu nunca tinha visto antes, porque sempre aparece a segunda, mesmo que bem clarinha). E continuando as pesquisas, achei uma explicação para esse muco fértil no final do ciclo: queda na progesterona.

Não é oficial, mas é quase certeza: nada de baby nesse mês, mais uma vez.
Difícil segurar a peteca e aceitar de boa que ainda-não-é-a-hora, Deus-tem-a-hora-certa e no-melhor-momento-vai-acontecer.

Cansada de tantas frustrações, desesperançosa e dolorida.
Sei que muitas mulheres estão nesse mesmo barco, sei que algumas estão enfrentando mares ainda mais bravios. Mas, mesmo assim, minha dor não diminui.